sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sarah


As paragens de autocarro passam por mim como borrões de luzes num televisor estragado. A vida passa, eu continuo. Dou por mim a imaginar-te a tocar guitarre no alpendre de tua casa, completamente extasiado com o instrumento que dominas sem pudor, cantando frases poéticas para quem quiser ouvir. Vejo-te a pensar em mim, enquando deixas que as melodias que tanto amas saiam dos teus lábios. Isso põe-me doente. Dá cabo de mim, devasta-me inúmeras vezes, pois, cada segundo que passa e me trás de volta à realidade do banco de autocarro vazio à minha frente, apercebo-me que és como todos os personagens alguma vez criados. Não existes. Não vais existir. E cada momento que isso me absorve, dou por mim a sufocar. Dou por mim a chegar à mais exacta constatação: Todos os sonhadores estão destinados ao niilismo, ao nada, à pura metafísica da morte e da realidade da efemeridade da vida.
Nunca me esquecerei daquele dia em que o Paulo se virou, com um ar de condescendência disfarçada: "Tu gostavas de viver num mundo de fadas, não gostavas? De fazer magia e salvar o mundo, não era?"
Eu neguei, mas ele tinha razão. Se me fizesse agora a mesma pergunta, talvez eu não negasse completamente, porque qual é o mal dos contos de fadas? Eles embalam-nos e levam-nos para longe daqui. O que é que isso tem de errado? É uma escapatória como qualquer outra coisa. A única diferença é que não nos mata, pelo menos, fisicamente...

My road
It feels like I'm walking on a brick road
Everything's a desert
And I'm not going home
I want to faint
And I want to cope
But I'm just a girl
And that's what I've been told

Maybe I'd cry a river
For you to stare
And I'd be a drifter
Just so you'd care

Chorus:'cause It feels like I'm walking on a brick road
Everything's a desert
And I'm not going home
I'm not going home
I'm not going home
Even if I feel this alone

I wonder if you see me
As I write this song
I wonder if you'll kiss me
Or if thinking that is all wrong

(chorus)

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