terça-feira, 21 de outubro de 2008

Christine - Borboleta

Por vezes, sinto-me invadida por uma sensação inabalável de liberdade. Sou um pássaro, uma borboleta que ninguém apanha. Todas as frases feitas, provérbios e dogmas são meros espinhos numa rosa quase simetricamente perfeita. Não me abalam, não me atrasam, porque quando eu voo, vou até à mais profunda e longínqua linha do horizonte. Há, definitivamente, momentos assim. Em que sou eu, ser individual, que caminha brilhantemente com um toque de crença nos olhos. Tudo é simples. O que é cinzento, será cinzento. Não há complicações, interpretações, o que é, é.

Estou de novo debaixo daquela árvore que reflecte nas suas folhas esmeralda a luz já ténue de um sol que se estica tranquilamente no lago azul esverdeado e algo cristalino para o qual olho de forma sonhadora. Ali, sou como uma criança embalada no berço, feliz, segura, "without a care in the world".

domingo, 20 de abril de 2008

Sarah - Not there


As paredes vazias do quarto chamam por mim, a quietude instalada num mundo de luzes apagadas tão propícias à reflexão desmedida da vida. Dou por mim a perguntar-me para onde devo ir, então. Se devo permanecer no mesmo sítio para sempre ou se devo ir em busca do meu graal pessoal. Afinal de contas, isso é a única coisa que parece ser genuinamente fiel. O resto acaba por esvair-se mais cedo ou mais tarde: pessoas que acabamos por apagar da lista telefónica, amigos com quem perdemos contacto, desilusões masoquistas de quem as já esperava...A casa na praia, o cão, os artigos de cinema numa revista literária não são mais do que uma visão agradável para quando me sinto no desespero de quem não sabe que caminh0 seguir.



Muitas vezes, sinto que sou a rapariga do videoclip do"Numb". Parece que o mundo corre diante de mim e eu tenho medo de o seguir. Tenho medo de ser estatística. Tenho medo de fazer parte dos tantos desconhecidos que não deixam nada para a posteridade. Bem, na verdade, quem não tem medo disso? Shakespeare dizia que a coisa mais comum era querer ser extraordinário. Será que isso me torna comum? Deslavadamente normaL? Será que ser normal é assim tão mau? Ser normal é bom. É incrível.




Já não o ouço...Nem o vejo. Chove e ele não corre atrás de mim por multidões de gente que o fazem quase tropeçar e cair. Quando o dia acaba, não sinto a sua presença tranquilizante e extraordinariamente fiel, lavando-me as lágrimas com alegria como se tudo aquilo que eu tomava como trágico não fosse um mero percalço insignificante. E, no entanto, sou envolvida numa liberdade imensa de quem já não espera nada de nada. Procuro as pequenas alegrias que antes me atraíam para ti...


E,no entanto, embarcar só, sem aquele que seria o meu par, numa imensa liberdade de percorrer a estrada seguindo a lua e o rio que a reflectem, parece mais consoladora que tudo aquilo que antes me agarrava à fantasia...


MOON RIVER, por Henry Mancini


Moon river, wider than a mile

I’m crossing you in style some day

Oh, dream maker, you heart breaker

Wherever you’re goin’, i’m goin’ your way


Two drifters, off to see the world

There’s such a lot of world to see

We’re after the same rainbow’s end, waitin’ ’round the bend

My huckleberry friend, moon river, and me


(moon river, wider than a mile)

(i’m crossin’ you in style some day)

Oh, dream maker, you heart breaker

Wherever you’re goin’, i’m goin’ your way


Two drifters, off to see the world

There’s such a lot of world to see

We’re after that same rainbow’s end, waitin’ ’round the bend

My huckleberry friend, moon river, and me












segunda-feira, 7 de abril de 2008

Rachel


Tenho andado a meditar e cheguei à conclusão que, neste blog, estamos a precisar de sugestões cinematográficas para uma tarde bem passada. Por isso, aqui vão as minhas sugestões para uma óptima tarde:



Música e Letra: A história de um músico frustrado e de uma jovem escritora descrente no seu talento que vêem a sua esperança renascida, quando lhes é oferecida a oportunidade de escreverem uma hit song. Claro, que esta a receita perfeita para duas almas perdidas se apaixonarem *****






Para Sempre Cinderella: Uma versão moderna da Cinderella que tem muito que se lhe diga. Com um princípe rebelde que rejeita o outro e uma rapariga inteligente sem papas na língua por quem aquele se apaixona quase à primeira vista. O resto é um clássico...*****




Moulin Rouge: Quem não conhece este musical fabuloso? A história do escritor que se enamora da cortesã? A receita pode ter o seu quê de cliché, mas a música supera o simplecismo do enredo. Come What May , Your Song e Nature Boy destacam-se, dando ao filme um ímpeto romântico que leva em viagem o mais pragmático dos seres! ****




Match Point: Com Jonathan Rhys Meyers e Scarlett Johansson, este filme leve ao extremo a máxima "O mundo é dos espertos" ao nos dar a conhecer a vida de um ténista que vai "trepando" para a alta sociedade sem que os "enganados" se apercebam do que jaz por detrás da máscara do nosso protagonisto. *****





Em breve mais propostas...



quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Christina


É quase meia noite. Os minutos passam dolentemente, enquanto me agarro às réstias de uma liberdade emprestada, dando por mim a reflectir sobre o que há de caótico na minha vida e sobre a velha história de Platão da meia laranja. A ideia de que algures no mundo, seja na China, seja em Nova Iorque, seja no Cazaquistão, está a nossa cara metade. A nossa meia laranja. A nossa alma gémea. Não é algo que se encontre no supermercado ou num excelente centro comercial como o Colombo e as amoreiras. É algo transcendente.

Contudo, os psicólogos dizem outra coisa que vem contrariar este mito ilógico, muito à conto de fadas para adolescentes sonhadoras, crianças ou qualquer pessoa que veja nisso uma espécie de magia aconchegante. A teoria é a de que não há uma alma gémea, há várias. No mundo podemos ser muito felizes com uns milhares de seres humanos, felizes com outros, ter uma relação equilibrada com uns quantos e, assim sucessivamente.
No entanto, se é tão simples, porque será que 30% da população feminina é solteira? Porque será que é tão difícil encaixarmo-nos em alguém? Será que esses milhares se perderam, no entretanto, aniquilados por qualquer mal anti-caras-metade?

Alguém disse que nós, seres humanos, temos o dom de criar protótipos daqueles com quem achamos que devíamos estar e, que, de certo modo, acabamos gerindo as nossas relações nessa base. Procuramos princípes de contos de fadas que não existem.

Ao longo da nossa infância, somos levadas a acreditar na pura e inexplicável magia do amor, na beleza do amar perdidamente, no magnífico morrer por amor... Nos contos de fadas, ninguém nos conta como realmente era a relação deles, a relação perfeita. Apenas sabemos que vivem felizes para sempre num castelo de marfim. Não nos dão indicações de como agir. Nada. Tudo o que sabemos é que acabam felizes. Apenas isso. Persiste a dúvida de como a Cinderela conseguiu manter o casamento, como a Bela suportou o mau feitio do Monstro ou como a Branca de Neve aguentou as futilidades do seu amor. Persiste a dúvida.

A realidade é diferente. Somos confrontados com princípes que não são mais que meros mortais disfarçados de realeza. Princípes que chegam meia hora atrasados ao cinema, que nos deixam à espera que se entreguem, que nos magoam repetidas vezes. Princípes sem cavalos brancos ou espadas em punho. Princípes que não vão cortar heras para nos salvar de um sono eterno. Não, não existem. Não vão existir. Podemos amar, podemos sofrer, mas por mais que doa ninguém nos vai salvar, ninguém que amemos nos vai proteger do frio da noite. Nenhum princípe vai dar mais que um pedaço de si, o resquício do que desejávamos receber.


Temos que nos levantar por nós próprias. Acordar e cortar as heras, lutar contra bruxas malvadas e ogres, porque ninguém é mais poderoso, mais capaz, mais herói do que nós, do que o "eu" que cuida de nós. Não há donzelas em apuros com jovens valentes que as vão tirar das torres. A Rapunzel dos nossos dias teria de atar um lençol à sua cama, cortar o seu cabelo, fugir sozinha. A verdade é que, como diria Anne Rice, " in the end, we're all alone."







sábado, 5 de janeiro de 2008

Riley


Sempre achei que o céu seria um lugar muito aborrecido com sopa de tomate para comer todas as noites, Jesus, os santos todos, a Madre Teresa de Calcutá e o Papa João Paulo II, uma predominância do branco, uma necessidade extrema de ser politicamente correcto e, por fim, uma falta de criaturas excêntricas para nos animarem.Por isso, criei a minha própria visão do inferno.
Existem 7 circúlos:
1. Para o ladrõezecos de meia tigela que, no fundo, não são más pessoas e, todos aqueles que cederam ao pecado da Gula e da Preguiça.
O segundo e o terceiro é para os excêntricos que não resistiram à luxúria, à avareza, à Inveja.
O quarto para todos os que não resistiram a uma vingançazinha.Os restantes são para os verdadeiros vilãos da História da Humanidade.
Anyway, aqui têm o meu poema que define, em parte, a minha visão do que serão os três primeiros círculos do inferno:


Welcome to my Hell


Welcome to my Hell
With five jacuzzis and a wishing well
Come and don't be scared
'Cause here you can do what you never dared
It's here your life's story you'll tell
And where you'll meet Orson Wells

Here in hell
All is swell
With five jacuzzis and a wishing well
And without churches with an annoying bell

Here in this steam
Everyone that's worth you'll find
And it begins with Oscar Wilde
And even if to you strange this may seem
You'll know for surem it can't be a dream

Here in hell
All is swell
With five jacuzzis and a wishing well
With no diamonds you can sell

In hell you can have so much fun
With Nietzsche you can play chess
And Freud you can cure all your stress
You'll love it so much that from Heaven you'll run
You'll love it so much that you'll rather have no sun

Here in hell
All is swell
With five jacuzzis and a wishing well
With so many stories for you to tell

So come and don't be scared
We're not professional sinners
Just very good beginners
Come and do what you've never dared
Do the things Heaven never beared

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sarah


As paragens de autocarro passam por mim como borrões de luzes num televisor estragado. A vida passa, eu continuo. Dou por mim a imaginar-te a tocar guitarre no alpendre de tua casa, completamente extasiado com o instrumento que dominas sem pudor, cantando frases poéticas para quem quiser ouvir. Vejo-te a pensar em mim, enquando deixas que as melodias que tanto amas saiam dos teus lábios. Isso põe-me doente. Dá cabo de mim, devasta-me inúmeras vezes, pois, cada segundo que passa e me trás de volta à realidade do banco de autocarro vazio à minha frente, apercebo-me que és como todos os personagens alguma vez criados. Não existes. Não vais existir. E cada momento que isso me absorve, dou por mim a sufocar. Dou por mim a chegar à mais exacta constatação: Todos os sonhadores estão destinados ao niilismo, ao nada, à pura metafísica da morte e da realidade da efemeridade da vida.
Nunca me esquecerei daquele dia em que o Paulo se virou, com um ar de condescendência disfarçada: "Tu gostavas de viver num mundo de fadas, não gostavas? De fazer magia e salvar o mundo, não era?"
Eu neguei, mas ele tinha razão. Se me fizesse agora a mesma pergunta, talvez eu não negasse completamente, porque qual é o mal dos contos de fadas? Eles embalam-nos e levam-nos para longe daqui. O que é que isso tem de errado? É uma escapatória como qualquer outra coisa. A única diferença é que não nos mata, pelo menos, fisicamente...

My road
It feels like I'm walking on a brick road
Everything's a desert
And I'm not going home
I want to faint
And I want to cope
But I'm just a girl
And that's what I've been told

Maybe I'd cry a river
For you to stare
And I'd be a drifter
Just so you'd care

Chorus:'cause It feels like I'm walking on a brick road
Everything's a desert
And I'm not going home
I'm not going home
I'm not going home
Even if I feel this alone

I wonder if you see me
As I write this song
I wonder if you'll kiss me
Or if thinking that is all wrong

(chorus)